Parada do Orgulho LGBT de São Paulo de 2017 - 21º edição

Parada do Orgulho LGBT de São Paulo de 2017 – 21º edição

O sol brilhava no morno domingo de 18 de junho de 2017 enquanto andávamos, meus primos e eu, até a Paulista em meio a uma multidão que se formava para a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo de 2017 – 21º edição.

Foi a primeira vez que fui ao evento, ansioso para ver pessoalmente o que só via – até então – em fotos e vídeos.

Chegamos pouco instantes antes de ser anunciado “Está aberta oficialmente a 21º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo”. Enquanto caminhávamos em direção ao MASP, ouvíamos o hino nacional relembrando que ali, apesar do clima de festa, acontecia um movimento social e político.

Nos acomodamos embaixo do vão livre do Museu de São Paulo, lugar escolhido para vermos passar todos os carros da parada e todas as diversas pessoas em alegre passeata.

Do meu lado esquerdo ficaram duas senhoras, entre seus 70 e 80 anos. À minha direita, um grupo de adolescentes entre seus 15 e 18 anos. Eu, no meio daquelas duas gerações, percebi o quanto aquele momento era importante para atingir novas e velhas gerações.

Em certo momento, vi meu primo coberto com a bandeira do orgulho e suas faixas do arco-íris conectada à bandeira do Brasil por uma costura duvidosa. Abraçado a ele, sua irmã olhava atenta o passar dos carros, mesmo cansada de ficar em pé durante horas a fio.

Me senti orgulhoso e feliz de ter podido viver aquele momento, reunido em família vendo as pessoas celebrarem sua liberdade.

Sim, também vi nudez, bebedeiras, beijos, cenas de erotismo puro, mas nada tirou de mim a felicidade de ter visto uma festa para todos, que acolhia a todos, inclusive as mais diversas maneiras de protestar ou de vivenciar seu “eu”.

Éramos sobreviventes de uma guerra contra a intolerância, o ódio e a violência que mata milhares dos nossos todos os anos e pude ouvir daquele povo heroico, seu brado retumbante e ver que, apesar de toda dor, ainda somos capazes de fazer graça e festa em meio às nossas próprias batalhas.

Se fosse resumir tudo que vi e vivi ali eu usaria as boas palavras de Lulu Santos: “A gente às vezes sente, sofre, dança, sem querer dançar. Na nossa festa vale tudo, vale ser alguém como eu, como você”.

E muito orgulho para todos nós!

Publicado por

Heller

Ainda aprendendo como viver nessa vida. Perdido nesse caos todo, escrevo aqui sobre minhas dúvidas, questionamentos e meus muitos erros e seus possíveis aprendizados.

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